segunda-feira, 21 de julho de 2008

MUROS, MURALHAS, BARREIRAS, POESIA DE FÁTIMA MOTA PARTICIPANTE DA COLETÂNEA UM MUNDO SEM FRONTEIRAS - LANÇAMENTO 22/07/08 NA LIVRARIA SICILIANO ÀS 18H

MUROS, MURALHAS, BARREIRAS

autoria Fátima Mota

Já bem antes das naus do Velho Mundo chegarem ao admirável Mundo Novo,
não se tem o respeito por fronteiras.
Constroem-se muralhas e barreiras,
desmoronam-se os impérios e ceifam-se as vidas;
mas essas barreiras são vencidas...
Ao caminhar as marcas que deixo nas calçadas
têm o Q.I. dos EUA, a matéria-prima de qualquer dos continentes
e, por enquanto, o sangue e o suor da mão chinesa.
Aqui nos cafundós somem os meus trocados,
pela ação da Ásia e seus mercados.
Encrenca com desafeto no Oriente Médio?
Majora o petróleo, diminui o feijão.
O capitalismo, o FED, as Bolsas... não há barreiras na economia.
Sem Volta ao Mundo em 80 Dias,
vivem on-line, em real time, as 24 horas os internautas.
Transatlânticos, supersônicos, a nostalgia do Concorde,
o trem-bala, e o Airbus A380, um recorde.
Sem muros, muralhas e barreiras,
no mundo não há fronteiras.
À História, serventia de exemplo e correção,
Bárbaros, a Grande da China, domínios, servidão.
Genocídio, o de Berlim, Guerra Fria, revoluções, destruições.
Apartheid, motins na Índia, conflitos armados, invasões.
Ódio racial que abateu um Luther King.
Força mansa de um Ghandi.
11 de Setembro, terrorismo, crime organizado.
Crimes contra a humanidade.
Ganância dos Blocos Econômicos. Regimes impostores.
Caudilhos, dos latinos os loucos ditadores.
Ao lixo, os nomes excrementos da História!
Muros, muralhas, barreiras...
é possível um mundo sem fronteiras?
A III E ÚLTIMA GRANDE GUERRA MUNDIAL:
Ao combate! Aos aterros as armas todas – as biológicas, as nucleares...
O ruir de Sonora e de Granada.
Não são pedras, são muralhas no meio do caminho.
Na terra fertilizada por almas, regar um jardim de liberdade.
Sunitas e xiitas, uma irmandade.
Israel e Palestina em suas terras prometidas.
Cobiça põe o mundo em marcha a ré.
Um pool de religiões numa só fé
faz do Ocidente-Oriente um horizonte.
Não vi a muralha que sobe? Abaixo o preconceito, o abandono.
Um apelo e nós podemos. Devemos.
Verdade ou teoria, o mundo quer romper muralhas e barreiras?
À luta: Os Objetivos e Metas do Milênio.
Justiça à ama África, sem fome, miséria e AIDS.
Demolir muralhas da linguagem.
À mulher, o mesmo valor do homem.
Humanizar da espécie a perpetuação.
Salvar o Planeta, só num grande mutirão.
Muros, muralhas, barreiras...
Haja vivo, justo e sustentável UM NOVO MUNDO SEM FRONTEIRAS!

2 comentários:

Jucely Regis disse...

"O mundo quer romper muralhas e barreiras?" São as muralhas e barreiras que dividem um país do outro, o interesse individual do interesse alheio. Imergidos na ambição, submetidos a "selva" do sistema capitalista, seguem os critérios do individualismo sem se preocuparem com o bem comum.
'Impérios' que governam para aqueles que estão no poder, que se constróem com a morte e a luta daqueles que ajudaram a construí-los. Avanço tecnológico e econômico paga-se com o retrocesso dos valores humanos e o desrespeito para com eles.

Jucely Regis disse...

Reconheci este texto quando comecei a ler.
Lembrei que o li em um sábado de ciranda poética, na Capitania das Artes, isso faz uma quantidade de meses que nem sei ao certo, mas, enfim, achei bem interessante.