JANIA SOUZA SPVARN CULTURAL
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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE PLANO MUNICIPAL DO LIVRO, LEITURA, LITERATURA E BIBLIOTECA - PMLLLB DO MUNICÍPIO DE NATAL PELO VEREADOR DANIEL VALENÇA
HORÁCIO PAIVA EM POEMAS
Horacio Paiva Paiva: .
Um poema em português e galego...
TURNO DA MANHÃ
Não estou seguro desta manhã:
o dia parece
um trampolim...
A noite levou quem eu queria
e me deixou só
num limbo de marfim.
QUENDA DE MAÑÁ
Non estou seguro esta mañá:
o día parece
un trampolín...
A noite levou quen quería
e deixoume só
nun limbo de marfil.
- Horácio Paiva
OFERENDA LÍRICA
enquanto ouves cantar o rouxinol
vai ao encontro do amanhecer
e o oferece
a alguém que partiu
e segue a lembrança que aflora
antes que também parta o rouxinol
- Horácio Paiva
Havia um José aqui em Natal, no bairro do Alecrim, alfaiate dedicado e exemplar, de quem fui cliente e amigo, e para quem fiz esse poema, por ocasião de seu falecimento...
JOSÉ, O ALFAIATE
José, Senhor, era alfaiate
e tirava medidas.
Seu dia ainda não completara
quando outro, maior, surgiu à sua frente -
e neste, ao invés de medir, será medido.
Dai-lhe, pois, a medida de vossa misericórdia
para que ostente em vosso reino
as vestes da salvação.
- Horácio Paiva
QUATRO PROJETOS PARA A MEIA-IDADE
um jardim
um pomar
um campo de pastagem para cavalos
uma área de preservação
para esperar lembrar pensar
- Horácio Paiva
CONCEIÇÃO GUIMARÃES LÊ A ALMA DE QUATRO ARTISTAS NO IX SALÃO DORIAN GRAY CALDAS
Entre texturas, cores e silêncios: a alma de quatro artistas na Pinacoteca Potiguar
Por: Conceição Guimarães (Crítica Literária e pesquisadora em Literatura e Cultura)
Na manhã de 31 de outubro de 2026, às 09h30, a Pinacoteca Potiguar abriu suas portas para a vernissage que promete ficar gravada na retina e no imaginário de quem a visitar. Muitas obras estão expostas, entre elas, as dos artistas Alfredo Neves, Carlos Gomes, Jayr Peny e Sonia Regina Maria de Macedo, que instauraram um diálogo fascinante e multifacetado.
São obras que testemunham o nosso tempo e a ponte para o indizível. Ao percorrer o espaço expositivo, percebe-se que a curadoria de Manoel Onofre Neto teve a simples e feliz confluência com esses quatro grandes nomes, convidando-nos a uma viagem por diferentes dimensões da percepção humana.
A Polifonia Visual
Cada artista trouxe consigo um universo particular, e o que se vê expostos nas paredes — ora tintas de um azul-turquesa vibrante, ora um amarelo solar — é um caleidoscópio de expressões.
Alfredo Neves nos apresenta a materialidade e a memória. Sua obra “O Moinho, o Sal e uma Janela do Tempo”, apresenta, sob técnica de colagem e gotejamento, os símbolos principais de Macau: o sal, o moinho, o Rio Açu/Piranhas e uma janela abstrata para o futuro. A tela é carregada de texturas e camadas que parecem querer saltar da moldura. Há algo de tátil em sua composição; é como se o tempo esculpisse com espátulas e pigmentos as paisagens internas e externas que resistem ao esquecimento.
A obra "As atrações do circo", de Carlos Gomes revela-se como um convite encantador a um universo lúdico e profundamente expressivo, onde a simplicidade da forma encontra uma potência narrativa singular. O artista adota uma estética que flerta com o primitivismo moderno e a arte naïf, priorizando a espontaneidade e a imaginação sobre o rigor acadêmico.
Já Jayr Peny manifesta-se como um figurativismo geométrico e surrealizante: A obra "O feijão da dona Lurdes", pertencente à série Colcha Sintética, é uma celebração vibrante da cultura popular brasileira, transfigurada pela lente única de Peny. A tela é um testemunho eloquente de sua maturidade artística, elevada a uma dimensão quase mitológica através de uma geometria cromática arrebatadora. A figura humana desconstruída de Dona Lurdes é a realidade transmutada; seu braço erguido e a mão espalmada, recriam o ritual sagrado do lar e a cozinha, não é apenas uma cozinha: é um espaço mental e afetivo à la Salvador Dalí.
Sonia Regina Maria de Macedo nos empresta seus olhos para o mundo. Com um rigor estético impecável registra na foto “Terra Refletida” uma formação rochosa refletida sobre a lâmina d’água, criando um diálogo entre matéria, luz, cor e reflexo. É a natureza observada com precisão e poesia, um convite a olhar para o ordinário e ver o extraordinário. O espelhamento aproxima terra e mar, revelando a singularidade da paisagem e sua relação com a identidade e o sentimento de pertencimento ao território potiguar.
A Celebração da Arte e do Encontro
As fotografias da vernissage revelam mais do que uma exposição; revelam um rito de celebração e comunhão. Nas escadarias da Pinacoteca, o sorriso largo de dezenas de pessoas — amigos, artistas, entusiastas e a comunidade — é a prova de que a arte só se completa quando é compartilhada.
O clima é de alegria e reconhecimento. Vemos convidados com suas taças de espumante, rindo, conversando e posando ao lado das obras. A presença de um público diverso, incluindo pessoas com mobilidade reduzida, reforça a democratização da cultura e da acessibilidade que a Pinacoteca Potiguar busca proporcionar. O famoso selfie coletivo na escadaria eterniza o evento e a atmosfera de pertencimento.
Reflexão
A mostra na Pinacoteca Potiguar transcende a simples exposição de quadros e fotografias. Num mundo cada vez mais acelerado, deter-se diante da arte naïf, de Carlos Gomes, da textura densa de Alfredo Neves, do figurativismo geométrico de Jayr Peny ou da clareza fotográfica de Sonia Regina é um convite à contemplação interior e exterior humana.
A data de 31 de outubro de 2026 já está marcada nos catálogos e na história cultural do nosso Estado. Se ainda não teve a oportunidade de visitar, faça um favor ao seu espírito: vá à Pinacoteca Potiguar, respire fundo e deixe-se perder, ou se encontrar, nas obras dos artistas que lá estão e, em especial, desses quatro excelentes artistas.
























































