Dessa vez, vi apenas o início às 23h40 em Natal-RN. A boca da Terra engolindo bem devagarinho as carnes e o brilho da Lua Cheia. Meus olhos teimavam com minha vontade e venceu. Tive que me recolher, embora chateada, mas feliz pelo aconchego do descanso.
Mas anos atrás, vi, ou melhor, testemunhei o eclipse lunar completo. Devia ser 1h30 na madrugada. Subi até a varada descoberta no telhado, onde podia me deliciar com a imensidão do Infinito com suas possibilidades. A iluminação da cidade à época era péssima, uma luz cor de risa fantasmagórica atraindo assaltos a cada esquina. Não riam, porque não é uma piada. Era a verdade da falsa luz destruindo também a paz entre os habitantes da urbe.
Para mim, esse eclipse, que testemunhei anos atrás, foi o maior espetáculo da Terra. Simplesmente inesquecível! A esfera da lua ficou suspensa no céu pela primeira vez. Não era uma imagem plana. Era uma imagem tridimensional. Incrível! Parecia que se eu estendesse minha mão aberta em sua direção. A Lua de Sangue se acomodaria como uma pedra preciosa, o rubi, em minha palma com serenidade e intenso brilho ofuscante. Jamais esqueci. E para completar, uma enorme coruja rasgou o céu com suas enormes asas abertas diante dos meus olhos estupefatos. Pensei, mau-agouro ou poema do artista maior? Beleza, belo, belíssimo. Pela foto acima agora invisível, pois ficou no Instagram, o evento dessa madrugada, cujo noite agora encerra no prenúncio de um novo dia, deve ter sido magnífico. Porém o cansaço me fez capotar. Mesmo assim, sem o vez nesse dia que se esvai, vejo que demonstrou toda a força e formosura que há na grandiosidade da natureza cósmica.
Que venham novos eclipses para maravilhar nossos imaginários no navego nas estrelas!!!
Jania Souza
Dia da Lua de Sangue - Eclipse parcial da Lua
Natal-RN, 28 de agosto de 2026























