sexta-feira, 6 de novembro de 2026

TARDE FESTIVA DE NOSSA SENHORA DA APRESENTAÇÃO
































 

UBERN CONTRATA OS SERVIÇOS DO ESCRITÓRIO DE CONSULTORIA E ASSESSORIA CONTÁBIL CO.PETENTE DALVA BEZERRA






 

AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE PLANO MUNICIPAL DO LIVRO, LEITURA, LITERATURA E BIBLIOTECA - PMLLLB DO MUNICÍPIO DE NATAL PELO VEREADOR DANIEL VALENÇA



Nessa sexta, 06 de novembro, no Palácio Padre Miguelinho, em que funciona a Câmara de Vereadores de Natal-RN, realizou-se Audiência Pública proposta pelo vereador Daniel Valença sobre o Plano Municipal do Livro, da Leitura, da Literatura e da Biblioteca - PMLLLB.




Os profissionais do livro, bem como da leitura e também da literatura e da biblioteca compareceram para debater sobre a importância da continuidade dessa política pública voltada para a alavancagem da população leitora no município. Uma vez que, segundo amostragens do IDEB, o estado potiguar se encontra no  vigésimo lugar no rank entre os estados brasileiros. Sendo preocupante esse descaso para com o livro,  a leitura e a biblioteca,  as principais ferramentas de transformação do indivíduo e, consequentemente de um povo.

Urge a necessidade da nova lei do PMLLLB e sua efetiva aplicação para que seja possível à população enfrentar os desafios cada vez mais complexos no mercado de trabalho. Encontrando-se esse, a cada dia mais exigente no tocante à qualificação de mão-de-obra em quaisquer áreas do conhecimento humano. Somente assim haverá a possibilidade de garantir uma sobrevivência digna e o bem-estar às famílias. Condições necessárias na construção de um estado de paz e de equilíbrio social, humano e econômico. Proporcionando desenvolvimento e progresso à população do nosso município sem nenhuma exclusão,  uma vez que todos são iguais perante a Constituição Brasileira.



Registro das presenças e das suas entidades







O vereador Daniel Valença, proponente, presidiu a Audiência Pública do PMLLLB com os representantes da Fundação Capitania das Artes - FUNCARTE, primeiro à esquerda, e da Fundação José Augusto, primeiro à direita, e os demais representantes da sociedade civil, componentes da mesa e no plenário.

Escritores e poetas - UBERN, SPVARN, ALAMP,  Casa do Cordel, editores, livreiros e livrarias, professores, população e bibliotecários reivindicam comprometimento da gestão pública com o PMLLLB, porque


 

HORÁCIO PAIVA EM POEMAS

Horacio Paiva Paiva: .


Um poema em português e galego...


TURNO DA MANHÃ


Não estou seguro desta manhã:

o dia parece 

um trampolim...


A noite levou quem eu queria

e me deixou só

num limbo de marfim.


QUENDA DE MAÑÁ


Non estou seguro esta mañá:

o día parece 

un trampolín...


A noite levou quen quería

e deixoume só

nun limbo de marfil.


-  Horácio Paiva


OFERENDA LÍRICA


enquanto ouves cantar o rouxinol

vai ao encontro do amanhecer

e o oferece

a alguém que partiu


e segue a lembrança que aflora

antes que também parta o rouxinol


-  Horácio Paiva

Havia um José aqui em Natal, no bairro do Alecrim, alfaiate dedicado e exemplar, de quem fui cliente e amigo, e para quem fiz esse poema, por ocasião de seu falecimento...

JOSÉ, O ALFAIATE


José, Senhor, era alfaiate

e tirava medidas.


Seu dia ainda não completara

quando outro, maior, surgiu à sua frente  -

e neste, ao invés de medir,  será medido.


Dai-lhe, pois, a medida de vossa misericórdia

para que ostente em vosso reino

as vestes da salvação.


-  Horácio Paiva


QUATRO PROJETOS PARA A MEIA-IDADE


um jardim

um pomar

um campo de pastagem para cavalos

uma área de preservação

para esperar lembrar pensar


-  Horácio Paiva


CONCEIÇÃO GUIMARÃES LÊ A ALMA DE QUATRO ARTISTAS NO IX SALÃO DORIAN GRAY CALDAS

Entre texturas, cores e silêncios: a alma de quatro artistas na Pinacoteca Potiguar 

Por: Conceição Guimarães (Crítica Literária e pesquisadora em Literatura e Cultura)

Na manhã de 31 de outubro de 2026, às 09h30, a Pinacoteca Potiguar abriu suas portas para a vernissage que promete ficar gravada na retina e no imaginário de quem a visitar. Muitas obras estão expostas, entre elas, as dos artistas Alfredo Neves, Carlos Gomes, Jayr Peny e Sonia Regina Maria de Macedo, que instauraram um diálogo fascinante e multifacetado.

São obras que testemunham o nosso tempo e a ponte para o indizível. Ao percorrer o espaço expositivo, percebe-se que a curadoria de Manoel Onofre Neto teve a simples e feliz confluência com esses quatro grandes nomes, convidando-nos a uma viagem por diferentes dimensões da percepção humana.

A Polifonia Visual

Cada artista trouxe consigo um universo particular, e o que se vê expostos nas paredes — ora tintas de um azul-turquesa vibrante, ora um amarelo solar — é um caleidoscópio de expressões.

Alfredo Neves nos apresenta a materialidade e a memória. Sua obra “O Moinho, o Sal e uma Janela do Tempo”, apresenta, sob técnica de colagem e gotejamento, os símbolos principais de Macau: o sal, o moinho, o Rio Açu/Piranhas e uma janela abstrata para o futuro. A tela é carregada de texturas e camadas que parecem querer saltar da moldura. Há algo de tátil em sua composição; é como se o tempo esculpisse com espátulas e pigmentos as paisagens internas e externas que resistem ao esquecimento.

A obra "As atrações do circo", de Carlos Gomes revela-se como um convite encantador a um universo lúdico e profundamente expressivo, onde a simplicidade da forma encontra uma potência narrativa singular. O artista adota uma estética que flerta com o primitivismo moderno e a arte naïf, priorizando a espontaneidade e a imaginação sobre o rigor acadêmico.

Já Jayr Peny manifesta-se como um figurativismo geométrico e surrealizante: A obra "O feijão da dona Lurdes", pertencente à série Colcha Sintética, é uma celebração vibrante da cultura popular brasileira, transfigurada pela lente única de Peny. A tela é um testemunho eloquente de sua maturidade artística, elevada a uma dimensão quase mitológica através de uma geometria cromática arrebatadora. A figura humana desconstruída de Dona Lurdes é a realidade transmutada; seu braço erguido e a mão espalmada, recriam o ritual sagrado do lar e a cozinha, não é apenas uma cozinha: é um espaço mental e afetivo à la Salvador Dalí.

Sonia Regina Maria de Macedo nos empresta seus olhos para o mundo. Com um rigor estético impecável registra na foto “Terra Refletida” uma formação rochosa refletida sobre a lâmina d’água, criando um diálogo entre matéria, luz, cor e reflexo. É a natureza observada com precisão e poesia, um convite a olhar para o ordinário e ver o extraordinário. O espelhamento aproxima terra e mar, revelando a singularidade da paisagem e sua relação com a identidade e o sentimento de pertencimento ao território potiguar.

A Celebração da Arte e do Encontro

As fotografias da vernissage revelam mais do que uma exposição; revelam um rito de celebração e comunhão. Nas escadarias da Pinacoteca, o sorriso largo de dezenas de pessoas — amigos, artistas, entusiastas e a comunidade — é a prova de que a arte só se completa quando é compartilhada.

O clima é de alegria e reconhecimento. Vemos convidados com suas taças de espumante, rindo, conversando e posando ao lado das obras. A presença de um público diverso, incluindo pessoas com mobilidade reduzida, reforça a democratização da cultura e da acessibilidade que a Pinacoteca Potiguar busca proporcionar. O famoso selfie coletivo na escadaria eterniza o evento e a atmosfera de pertencimento.

Reflexão

A mostra na Pinacoteca Potiguar transcende a simples exposição de quadros e fotografias. Num mundo cada vez mais acelerado, deter-se diante da arte naïf, de Carlos Gomes, da textura densa de Alfredo Neves, do figurativismo geométrico de Jayr Peny ou da clareza fotográfica de Sonia Regina é um convite à contemplação interior e exterior humana.

A data de 31 de outubro de 2026 já está marcada nos catálogos e na história cultural do nosso Estado. Se ainda não teve a oportunidade de visitar, faça um favor ao seu espírito: vá à Pinacoteca Potiguar, respire fundo e deixe-se perder, ou se encontrar, nas obras dos artistas que lá estão e, em especial, desses quatro excelentes artistas.

A arte espera por você.














Fotos do acervo da escritora Conceição Guimarães