sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

UM NATAL DIFERENTE, TEXTO DE MARIA CRINAURA DANTAS CAVALCANTI

Queridos amigos:


Hoje vou postar um texto sobre o Natal escrito por minha mãe. Foi escrito no início dos anos 70. E como diz meu irmão Mário Ivo, que na verdade ainda vai dizer em sua coluna nessa próxima sexta no JH Primeira Edição:
"Com ele, ela ganhou um prêmio de uma revista feminina, nacional - não lembro se Cláudia ou Desfile, patrocinado por uma marca de cosméticos; mas lembro bem que durante muito tempo uma enorme caixa com perfumes, sabonetes e que tais ficou guardada em algum canto da nossa casa. Até que os perfumes e sabonetes foram sumindo, restou a caixa, até que ela também sumisse, permanecendo apenas em nossas lembranças o cheiro inesquecível da infância e dos acontecimentos mágicos da infância."


Boa leitura e FELIZ NATAL!


Carito
www.ospoetaseletricos.com.br



UM NATAL DIFERENTE


Sempre planejo um Natal diferente. Que não seja pré-fabricado, que fuja à tradição no que ela tem repetido e copiado. Que nesse Natal só fique mesmo o que é autêntico, que traduza nossa alegria pelo nascimento do Menino, alegria pura como a água da fonte, correndo e cantando uma doce canção ao filho de Maria.
Bem, quero um Presépio vivo. Maria, José, o Menino, o boi, o burrinho, pastores, ovelhas, e até a estrela, seriam gente. Meus filhos, os seus amigos, eles mesmos escreveriam a seu jeito um Auto de Natal. Nós adultos nada faríamos a não ser quando chamados, quando solicitados.
E fico a imaginar a beleza da festa, a autenticidade da mensagem da Criança, interpretada por outras crianças! A linguagem simples, onde os erros de concordância seriam compensados pela riqueza do conteúdo e pela graça da interpretação.
Que cantos cantariam os pastores? Que palavras diria a Mãe do Menino, para consolá-lo do frio da noite, da dureza do berço improvisado?! Quem seriam os Magos?! Trariam ouro, incenso e mirra, ou um chocalho colorido, ou um saco de balas?
Ah, eles fariam tudo. Poderiam cantar desentoado, poderiam chegar vestidos de palhaços ou "caubói" de barba, ou hippies, mas na manjedoura o Menino sorria ao vê-los entrar. Talvez um burrinho "de mesmo" invadisse a casa, talvez arrancassem do céu o cometa que se aproxima e conseguissem fazê-lo parar em frente à pequena cabana do nascimento. Mas seria uma cabana? Ou colocariam seu pequeno posto de gasolina de brinquedo para abrigar o Deus Menino? Bem, talvez achassem melhor que os Magos viessem num Dodge Dart, vermelho ou azul, ouro ou prata, mas sempre colorido como seus sonhos infantis.
A festa não teria hora para começar nem terminar. Seria a festa das crianças para A Criança. E certamente algum pastor caminharia para o Presépio cantando uma música de Roberto Carlos, enquanto outro, sorridente, entraria na gruta tendo na mão uma garrafa de refrigerante e mastigando gulosamente um cachorro-quente.
E nós adultos? Poderíamos ser "convocados" ou esquecidos, mas guardaríamos na lembrança as imagens esplêndidas desse Natal. E entre dormindo e acordados, entre o sonho e a realidade, víssemos de repente o Menino crescer, levantar-se e correr com os nossos pela casa, irmãos de nossos filhos, filho nosso também.



Maria Crinaura Dantas Cavalcanti

Um comentário:

neo-orkuteiro disse...

Merecidamente condecorado, o texto é mesmo porreta, Jania.
Provavelmente retornarei, para mais ler.