Vênus e o Artista
Jania Souza
Entre o dia e a noite
Desce o véu do ocaso
Na surdina despedida.
Vênus vestida de esplendor
Ignora as luzes da cidade
E permanece radiosa
Como um enorme holofote
No manto opaco bordado
Pelo último suspiro do rei.
Nem mesmo a Lua Gibosa
Apaga seu brilho de estrela.
Nas ruas se perguntam
- É satélite ou é planeta?
Nesse caso o real não importa
Lá no inexpugnável horizonte
A poesia de Vênus transcende
A arte do poema supremo
Escrito pela sensibilidade
Dos dedos do maior artista


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