Manhã de Domingo
Jania Souza
O farfalhar das folhas de coqueiros
Mamonas, bananeiras, castanholas
Ressoa ensandecido em voracidade
Por entre as frestas das venezianas
Fechadas, nessa manhã de domingo
Em que o sol briga com as nuvens
Pedindo com urgência passagem.
São os acordes em fúria do uivo do vento
Adentrando o mês agostino com total vigor
Numa sinfonia de ópera ainda inacabada
Tessida com maestria pelos dedos de Wagner
Inspirada na 9a Sinfonia do mestre Beethoven.
Emoções desencontradas são despertas
No íntimo do ser humano, enquanto ouve
O chamado das turbulências sensações...
No mar, as ondas se agitam se contorcendo
Embaixo dos lençóis de água benta a engolir
Os nadadores desavisados pegos por Netuno.
El Nino esbarra no Alísio e no contra Alísio
E o Sol vence a corrida nas asas do vento
Indomável pincelando o céu virgem-limpo
Com o doce azul turquesa em desprezo
Ao sofisticado glamour do lápis-lazúli.
Em Natal é dia de praia e brincadeiras
Após uma noite de aconchego de Inverno.
Os pais e crianças pedalam nos parques e ruas
Na Via Costeira além da praia, há caminhada
E corrida dos pedestres-atletas de fim de semana
Apreciando o ar puro, a vitamina D e músculos.
Muitos preparam aquela comidinha caseira
Para delícia no almoço da sua amada família
E agradecerão na missa ou culto à feliz união.




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