Papo com o Senhor Inverno
Jania Souza
Bom dia, Senhor Inverno
Seu manto cinza coroa Natal
Com o friozinho do aconchego
É uma teima sair debaixo dos lençóis.
Num passeio indiscreto embaixo
Do seu chapéu mais elegante
Que os finos panamenhos
Necessito da fibra dos casacos
Não produzidos em meu litoral
De belas praias em conluio com as dunas.
A ousadia do brilho do sol
Não consegue romper o vigor
Das tramas tecidas pelas nuvens
Fazendo-o bisbilhotar de soslaio
O movimento na cidade, que dizem
Não ser mais potiguar
Embora tenha sido plantada
Nas terras da Aldeia Velha
Da nação de Poti...
A invasão de Portugal usurpou
O solo em que construiu a cidadela
Mas o povo de Felipe Camarão
Continuou a povoar e se misturar
Aos europeus desgarrados
Em exílio nessas cercanias
Na nação estendida de Extremoz
Até as bandas das Alagoas-AL
Despeço-me aqui, Senhor Inverno
Gratidão pelo bom papo
Nessa agradável manhã.
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