sábado, 4 de julho de 2026

PAPO COM O SENHOR INVERNO - POEMA JANIA SOUZA SOBRE IDENTIDADE POTIGUAR





Papo com o Senhor Inverno


Jania Souza


Bom dia, Senhor Inverno

Seu manto cinza coroa Natal

Com o friozinho do aconchego

É uma teima sair debaixo dos lençóis.

Num passeio indiscreto embaixo 

Do seu chapéu mais elegante

Que os finos panamenhos

Necessito da fibra dos casacos

Não produzidos em meu litoral

De belas praias em conluio com as dunas.

A ousadia do brilho do sol

Não consegue romper o vigor

Das tramas tecidas pelas nuvens

Fazendo-o bisbilhotar de soslaio

O movimento na cidade, que dizem

Não ser mais potiguar

Embora tenha sido plantada

Nas terras da Aldeia Velha

Da nação de Poti...

A invasão de Portugal usurpou

O solo em que construiu a cidadela

Mas o povo de Felipe Camarão

Continuou a povoar e se misturar

Aos europeus desgarrados

Em exílio nessas cercanias

Na nação estendida de Extremoz

Até as bandas das Alagoas-AL

Despeço-me aqui, Senhor Inverno

Gratidão pelo bom papo

Nessa agradável manhã. 


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