O Rouxinol Papa-jerimum
Jania Souza
Fernando Towar abre o leque
Do chilreo da sua voz macia
Modulada nas notas dó re mi
Embaladas pelas tonalidades da
Paixão
Essa jorra em cascata
Sem qualquer improviso
Parceira das taças de beijos
Oferendas sensuais da boca do
Astro Rei
Depositam-se com ternura
Sobre a prata das ondas
Vestidas da mansidão
Do rio.
Ouve-se Praieira!
Ressoar pelos ares da Rampa.
É A Serenata do Pescador
Do poeta Othoniel Menezes
Bela exaltação ao lugar
Em que se descansa o coração.
O rouxinol dos papa-jerimum
Cantou seu amor a Djalma Maranhão
E o hino De pé no chão se aprende a ler
Encantou multidões
Indo lá do Areal para as bandas
Do Recife
Até conquistar no sul
O cenário musical paulista.
Sua boemia poetou pelas ruas
Da Ribeira e no Canto do Mangue
No entorno do Capibaribi e
Nas adjacências da Avenida São João
Em passos elegantes de sambista.
Mesmo ainda na ditadura
Viu no vermelho o branco da paz
Solvejou melodias de amor
Para os românticos e sonhadores
Às crianças, versejou esperança
Com sua preciosa alma.
Canta ao pôr do sol, trovador
Embala suas despedidas corriqueiras
Pois amanhã já é novo dia
Esse navego constante na melodia do ser.
Faz voar nesse Infinito do horizonte com
As garças tão alvas esquecidas do pranto
Sua voz cativante de tantas emoções
Louva a Deus e à Dona Nenê
Que o criaram para ser esse grande
Homem-artista de Poti-irmão!
Fotos de Jania Souza - Ensaio fotográfico do Pôr do Sol no Museu Rampa - Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Norte em, 15/07/2026











































































