Eu não quero esse país de volta!
Faziam piadas racistas e todos os negros eram felizes
Mentira!
Os brancos faziam as piadas e os negros calavam porque não tinham voz.
Faziam cenas machistas e as mulheres riam.
Mentira!
O machismo, o patriarcado eram naturalizados
A truculência machista era legitimada pela falsa necessidade de proteção.
Faziam piadas com gays e lésbicas e ninguém se ofendia, todos viviam em paz.
Mentira!
O abuso de uma sociedade fincada no preconceito tornava a homofobia um estilo de vida.
Faziam piada com nordestinos e todos eram felizes
Mentira!
Pergunte aos que vieram pro sudeste tentar a vida e que se projetaram por pura teimosia as dores sofridas.
Era assim a sociedade
Era assim o nosso país.
O fazendeiro abusava das filhas dos colonos que ficavam calados por medo da fome
O filho do fazendeiro fazia o mesmo e assim se perpetuavam o abuso e o silêncio
Não!
Eu não quero esse país torturador, abusador, misógino, homofóbico, racista de volta!
Eu não quero que ridicularizar e menosprezar o outro seja visto como normal.
Eu quero seguir em frente resistindo, lutando, gritando se for preciso!
Quero derrubar as senzalas
Quero quebrar as barreiras sociais
Quero que o povo brasileiro, faça rodas de mãos dadas sendo irmãos
Quero a celebração da vida, da igualdade, da justiça social!
Quero que o Brasil, o meu país, seja livre das trevas do preconceito, das piadas cruéis,
Que meu país como diz o provérbio
"Vá brilhando, brilhando, até ser dia perfeito!"
(Juraci Cruz)
Macaé, 11 de abril de 2021.
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